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Em visita à Aldeia Estrela do Amanhã, Carlos Bernardo conhece liderança que está construindo novo futuro para terenas

Ela caminhava 18 quilômetros por dia para estudar. Ao se tornar mãe, fez das próprias dificuldades um sonho: garantir aos filhos mais oportunidades e um futuro melhor.

Indígenas fazendo artesanato no Instituto Yoko Itipakovoti
Crédito: Assessoria

Campo Grande (MS) – Ela caminhava 18 quilômetros todos os dias para ir à escola evangélica Lourenço Buckman - a que fica mais perto da Aldeia Ypegue (em Aquidaiuana). Quando se tornou mãe, não quis que os filhos passassem pelos mesmos desafios para estudar. O sonho de ver as crianças crescerem e terem um futuro melhor batia forte no seu coração. 

Hoje, eles estudam Direito, e Dalva pode dizer que fez a escolha certa. Líder do instituto Yoko Itipakovoti, que atua na preservação da língua e da cultura Terena no meio urbano de Campo Grande — ela foi uma das mulheres que lutou para sair de Aquidauana e fundar a aldeia Estrela do Amanhã. 

Foi essa história que trouxe o empresário Carlos Bernardo até a aldeia para conhecer o instituto. A visita não foi protocolar. Carlos Bernardo ouviu de perto a trajetória marcada por dificuldades, coragem e resistência, e que hoje sustenta um trabalho de preservação cultural indígena no coração de Campo Grande.

Dalva conta que a cidade, mesmo com todas as suas contradições, representava uma chance de viver com mais dignidade. Os abusos e as mortes que haviam no caminho, ficariam para trás. Mas, apesar dessas mudanças, a chegada não foi fácil. Sem documentação e ocupando terras privadas, as primeiras famílias enfrentaram a polícia e muitos desafios. Foi preciso resistência para construir uma das aldeias urbanas de Campo Grande, ao lado de Marçal de Souza, Água Bonita, Tarsila do Amaral e Santa Mônica. 

Instituto Yoko Itipakovoti

Foi assim que nasceu o Instituto Yoko Itipakovoti. O trabalho, simples na estrutura, mas profundo no propósito: ensinar às crianças e jovens da aldeia as tradições, a língua e as artes do povo Terena que vieram das aldeias como Taunay, Ypegue e Cachoeirinha.

Atualmente, as crianças aprendem violão, percussão e bateria. A filha de Dalva ministra aulas de canto em Terena. O artesanato e as pinturas tradicionais — com símbolos únicos de cada etnia — também fazem parte do dia a dia do instituto. Seus filhos Talisson e Taline estão diretamente envolvidos nessa missão cultural. Talisson, inclusive, cursa Direito, unindo identidade e qualificação profissional.

Carlos Bernardo

Carlos Bernardo tem realizado visitas a diferentes comunidades do estado para conhecer demandas locais. No encontro com Dalva, mais do que falar, ele escutou.

Após ouvi-la, Bernardo orientou sobre a importância do instituto participar de editais e programas públicos existentes. Defendeu bolsas de estudo e programas de qualificação para jovens indígenas — e criticou a visão ultrapassada de que os indígenas devem viver apenas do extrativismo.

Ele também abriu sua própria história: contou que cresceu em casa de madeira, sem piso, e que também andava quilômetros para chegar à escola. "Não estou na política sem propósito, estou para contribuir com Mato Grosso do Sul", afirmou o pré-candidato a deputado federal.

Ao saber dessa história, Dalva falou sobre a ida de Carlos Bernardo à aldeia. “Achei muito importante a visita dele aqui na nossa comunidade indígena Estrela da Manhã. É muito importante para nossa comunidade quando recebemos alguém interessado em conhecer nossa realidade e dialogar sobre a preservação da cultura indígena", frisou.

O diálogo entre lideranças comunitárias e figuras públicas é essencial para que as demandas indígenas deixem de ser invisíveis. A Aldeia Estrela do Amanhã e o Instituto Yoko Itipakovoti mostram que preservar cultura é resistência ativa de um povo que escolheu a cidade sem abrir mão de quem é.

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